E como se de uma história se tratasse, eu conto qual conto de fadas!
Vejo a tua mãe no alpendre tricotando aquelas camisolas que nos aqueciam no inverno, com uma caneca bem quente de café ao lado, ainda sinto aquele aroma profundo e extremamente apetitoso (aquele era o verdadeiro café!). O gato acompanha-a, e a tua mãe, a cada gole de café, faz-lhe um miminho. O Gordon,assim se chamava o gato, está deitado por cima da cesta das linhas, muito rechonchudo e peludo, ronronando a cada mimo. E a cadeira de baloiço, era a preferida da tua mãe, ela sentava-se sempre nela, ora para tricotar, ora para cair no sono um pouquinho, ora simplesmente para observar o mundo com o seu olho crítico e sensível. Os seus óculos na ponta do nariz, espreitando assim, por cima deles e o seu cabelo grisalho preso num puchinho.
Delicio-me com estas imagens, trazem um misto de saudade e paz!
Tu chegavas sempre por volta das seis horas, estavamos à tua espera, a tua mãe no seu alpendre baloiçando-se na sua cadeira. Oferecia-te um sorriso e perguntava-te como tinha corrido o dia. Naquele tempo, na hora das refeições, era bom tar no jardim, havia um perfume diferente que vinha de cada casa, misturavam-se no átrio, e era tão bom saborear o único aroma que se formava...
Eram outros tempos, dizes tu, e eu tenho saudades daquela rotina que por vezes era tão cansativa, mas agora tão saborosa!
E é mesmo isso, agora já não há café tão intenso e saborosa, não há aromas tão deliciosos, agora vejo poucas cadeiras de baloiço...
Esta imagem repete-se constantemente no meu imaginário, e só eu sei o quão bom é...
Saudade, gosto da palavra, e o sentimento é belo.
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