domingo, 28 de outubro de 2007

MEUS =')

Aqueles sorrisos
Aqueles abraços
Aqueles beijos...

Gestos simples
Gestos cúmplices
Gestos transcendentes
Gestos especiais
Gestos únicos
Gestos perfeitos
Gestos vossos

=)

Meus manos presentes,
Mas longe de mim

Meus manos perfeitos,
Mas com imperfeições

Meus manos
Meus
Só meus

Aqueles que sentem o que eu sinto
Aqueles que me fazem sorrir
Aqueles que me fazem chorar
Aqueles que me fazem sonhar
Aqueles que mais quero ver felizes
Aqueles que me

completam
Aqueles que preenchem a minha realidade
Aqueles que me dão força
Aqueles que são simplesmente a minha vida

Como eu gosto da antipatia dele
E da simpatia dela
Da agressividade de um
E do carinho do outro

Como eu admiro a irracionalidade dele
E da maturidade dela
Os maus exemplos de um
E os bons conselhos do outro

Como eu preciso da força dele
E da fragilidade dela
Da calma de um
E da impaciência do outro

Como eu amo o bom gosto dele
E a auto estima dela
A brutalidade de um
E a ternura do outro

Como me fascinam
A inteligência dela
E a falta de atenção dele
O sorriso de um
E a arrogância do outro

Como me motivam
O bom comportamento dela
E a irreverência dele
O temperamento de ambos...

Tudo tão perfeito
Tudo tão único
Tudo tão deles
Tudo tão meu

='D






#3

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Saudade (cont.)

Quantas vezes sorrimos ao som daquela lareira? Aquele estalir era único, e aquecia-nos nos Invernos complicados que sempre nos assolaram. Agora, o Inverno já não tem o mesmo estalir...
O teu “bom dia” era saboroso, a tua “boa noite” era acolhedora... O teu beijo fazia-me sonhar tão alto... Gosto de te imaginar no meio da relva, deitado a divagar, não dizias coisa com coisa, e a tua gargalhada entoava no meu coração. A relva era fofa, o ar leve e o calor do sol aquecia o teu olhar. Sempre tiveste um ar de mau, de frio, mas o teu sorriso nunca me enganou, lembro-te terno e suave...
Aquelas tartes da tua mãe, aquele bolo que sabia a nuvens e a caramelo, o café...
A tua mãe sempre teve uma mão bastante prendada, lembraste das vezes que repetias isto? Ela sorria e dizia-se mágica. “Nunca desconfies do poder do amor de mãe”, ar sério e sorriso doce no final. A tua mãe tinha um coração enorme, sempre guardou todos os que comeram um pouco dos seus bolos e provaram o seu café, sempre lhes mimou a alma.
Naquele tempo, os sentimentos eram verdadeiros, sentias realmente tudo o que dizias, saboreavas cada segundo e guardavas. Lembras-te de quando a banda descia o monte e enchia de música os nossos prados, dançávamos, saltávamos, riamos....
Bons tempos, o vento assobiava, as flores encantavam...
Lembraste quando contaste as estrelas? Eu disse-te que ias ficar doente, tava frio e quiseste ir ver o céu, tinha que ser na relva, não quiseste o meu cobertor, dizias tu que o frio te alegrava a alma. O chá da tua mãe fazia milagres, e o mel... Tenho saudades do chá e do mel! Tenho saudades dos dias em que quase podíamos tocar nas estrelas.
Eu gostava da luz da lua, fazia-me bem às divagações... Gostava das seis horas, porque te ia esperar e ouvia as histórias da tua mãe.

O meu mundo...sussurravas tu.


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Palavras mudas

“Vejo-te por entre a porta entreaberta que nos separa”, penso nisto constantemente e censuro-me pelo facto.
Ainda agora te conheci e a tua ausência já é sentida, fugaz sopro deste desesperado coração nómada.
Antevejo um futuro turvo, culpa deste presente triste e não te culpo, nem a mim… nem tento. Soubesses tu o que nos imagino e matar-me-ias com palavras acusadoras, acutilantes, capazes de me fazerem sangrar…assim não o quero.
“ Penso no teu jeito envergonhado, no sorriso tímido, na espécie de escudo que tanto me fascina e anseio pelo sinal do consentimento, um sim à pergunta muda que te fiz enquanto focava a tua alma “, tormento de alma!
Sentes o mesmo?
Sabes quem és tu, que me inspiras e enervas?
Vou dizer ao vento o teu nome, na esperança de que, por ironia do destino, seja o mesmo que passa em frente a tua janela e te dê a boa nova.
A lua é mágica, mas a noite assusta-me.




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quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Confusão

Talvez, não encontro melhor forma de começar a minha divagação, ainda te sinta em momentos de embriaguês sórdida.
Há muito que te guardo no meu coração, há muito que preenches a minha alma e há muito também que isso deixou de ser novidade. A ti entreguei o que pude e soube, investi em nós, como se o mundo dependesse de um gesto do mais puro altruísmo para sobreviver, mas enganei-me. De ti recebi o momento, talvez surgido da carência de anos sem palavras de aconchego, mas faltou-me o segundo seguinte, do qual, no teu subconsciente, eu já não faria parte. Sentei e chorei…
Revoltei-me e apelei ao que tivéramos para que voltasses a ser quem outrora foste...em vão, há um tempo para cada coisa e cada coisa para o seu tempo. Lembrei-me de lavar pensamentos recentes de mais, mas as cores obviamente mantiveram-se bem vivas.
Apago, escrevo, apago, escrevo, apago e escrevo, o teu nome está na memória não volátil do meu disco rígido. Risco, pinto, canto, pulo, caio, magoo-me…infrutífero. Onde quer que vá estas comigo, és a patologia crónica com ou sem a qual não consigo viver.
Eu sei que tu sabes o que és para mim, e isso dói, porque se não o soubesses, terias a distracção como desculpa. Falamos de incompatibilidades, de sentimentos distintos, falamos da dor de um e do júbilo de outro, em suma, falamos de vida. Limpei as lágrimas e levantei-me…
Estas são as palavras que me assolam quando estas comigo, mas não saem naturalmente. Isto é para ti…


Queres saber? Eu gosto de ti.



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Saudade...




E como se de uma história se tratasse, eu conto qual conto de fadas!
Vejo a tua mãe no alpendre tricotando aquelas camisolas que nos aqueciam no inverno, com uma caneca bem quente de café ao lado, ainda sinto aquele aroma profundo e extremamente apetitoso (aquele era o verdadeiro café!). O gato acompanha-a, e a tua mãe, a cada gole de café, faz-lhe um miminho. O Gordon,assim se chamava o gato, está deitado por cima da cesta das linhas, muito rechonchudo e peludo, ronronando a cada mimo. E a cadeira de baloiço, era a preferida da tua mãe, ela sentava-se sempre nela, ora para tricotar, ora para cair no sono um pouquinho, ora simplesmente para observar o mundo com o seu olho crítico e sensível. Os seus óculos na ponta do nariz, espreitando assim, por cima deles e o seu cabelo grisalho preso num puchinho.
Delicio-me com estas imagens, trazem um misto de saudade e paz!
Tu chegavas sempre por volta das seis horas, estavamos à tua espera, a tua mãe no seu alpendre baloiçando-se na sua cadeira. Oferecia-te um sorriso e perguntava-te como tinha corrido o dia. Naquele tempo, na hora das refeições, era bom tar no jardim, havia um perfume diferente que vinha de cada casa, misturavam-se no átrio, e era tão bom saborear o único aroma que se formava...
Eram outros tempos, dizes tu, e eu tenho saudades daquela rotina que por vezes era tão cansativa, mas agora tão saborosa!
E é mesmo isso, agora já não há café tão intenso e saborosa, não há aromas tão deliciosos, agora vejo poucas cadeiras de baloiço...
Esta imagem repete-se constantemente no meu imaginário, e só eu sei o quão bom é...


Saudade, gosto da palavra, e o sentimento é belo.



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