Hoje acordei com vontade de escrever um Carta Aberta.
Daquelas tão abertas que ninguém consegue questionar a sua veracidade, a sua consistência e sinceridade.
Hoje, decidi gostar de mim.
Deu-me uma canseira mal acordei e para ser sincera a primeira imagem que vi foste tu. Não te vou dizer que gostei de te imaginar ao meu lado, senti, só, pena de mim. Pena da alma tonta e inocente que me tornei.
Transformas-te alguém determinado e cheio de convicção num ser totalmente insignificante, até para si próprio. Esqueci a rotina, os horários, os costumes e o amor próprio.
Hoje, acordo numa cama enrugada, suja, com cheiro a beco e bairro de lata. Sinto-me uma daquelas prostitutas que acordam a meio da tarde completamente ressacadas. A tresandar a álcool e ainda carregada de droga a correr pelo corpo.”Um Jack Daniel’s para a gaja mais corrida!”
Deslizo as ruas desta cidade que cheira a fritos, a fumo e a lixo. Percorro a rua de um lado ao outro, encosto-me a postes, a sinais, a paredes. Vamos seguir a sombra.
Tenho a saia subida de mais e a meia ainda mais rota, já não tenho um bocado da meia intacta. Mas a vida não me tem dado dinheiro para isto. O batom está borratado. O cabelo sujo e sem pentear, já nem se mexe com o vento a bater, não tenho nem pente nem água. O mini top tem um buraco de lado e o casaco por muito sujo que esteja consegue tapar esta alma do frio.
Chove. “Só me faltava mais esta”. Purifica. Purifica a minha dança.
O que eu faço no fundo é uma arte.
Odeio estas ruas, odeio quem me toca. Odeio dançar para lhe dar prazer.
Sou quem Deus sempre quis. Sou mais uma alma que sofre num mundo cruel, frio e imundo.
Levanta. Levanta a cabeça e vai à luta. Preciso de dinheiro para o meu vício. O copo, os cigarros e a minha anestesia estão cada vez mais caros.
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quarta-feira, 3 de setembro de 2008
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