quinta-feira, 22 de maio de 2008

Saudade (cont.)

Fui, outrora, Cinderella. Agora, encontrei o meu sapato.
Levaste-me o medo. Deixaste-me o segredo.
O eterno segredo do amor. O amor verdadeiro. Mas não eterno. Confesso que ainda acredito no amor eterno. Confesso que ainda acredito no nosso amor.
Lembras-te quando confessei que antes de te conhecer esperava, junto à janela, ver um príncipe a chegar. Cavalgando no seu cavalo preto, com toda a pose digna de uma história de amor e feiticeiros. Sim, cavalo preto. Cavalo branco seria fantasia a mais. E fantasia a mais ilude até o coração mais duro e frio. Não ia atirar a minha trança pela janela, mas abrir a porta, talvez.
Voo, em pensamentos que tu agarraste.
Sonho, esperanças perdidas.
Sofro calada.
Tenho a noite em mim.
Sopra coração, vive! Não te prendas ao que foi um dia o teu mundo. O teu amor.
Melodia. Melodia que toca o meu olhar. As teclas do piano deslizam suavemente e as minhas lágrimas aconchegam cada nota, cada acorde, cada paz que a melodia me oferece.
A nossa dança, o nosso baile. Eu tinha um vestido amarelo pastel, com um laço enorme. Tu eras o meu príncipe. E eu estava num sonho. Recordo este momento como se estivéssemos dentro de um pisa papéis, onde cai neve e a nossa expressão é a mais deliciosa possível. O tempo parou, o mundo dispersou. Só nós. Um amor, dentro de um pisa papéis redondo, com neve a cair e um vestido amarelo pastel. Um sonho, que um dia serviu de tapete para ti.
Um dia perguntaste se queria voar. Então deitamo-nos num campo cheio de margaridas e deste-me a mão. Ficamos ali, de olhos fechados, de mão dada a sentir o vento, lado a lado, a sentir o nosso amor, a sentir o nosso coração. Voei.
Rasgaste o peito. Levaste o meu coração.
Fazes-me falta.

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