Arrepiava-me a cada toque, a cada olhar, a cada palavra e sorriso trocado. Ouvia-te atentamente. Não conseguia desviar de ti o meu olhar, queria reter tudo o que me dizias e explicavas. É verdade, cresci, aprendi e vivi contigo.
Se algum dia fui ingrata contigo meu amor, não foi algo sincero mas sim momentâneo. Sim, chamei-te de “meu amor”, tu foste, és e serás sempre o meu amor.
Gostava da nossa ternura, do nosso embalo, do nosso destino.
Um dia a olhar para a lua, disse-te que o nosso momento era aquele e ali. Ninguém nos iria separar até porque quem tem uma ligação forte como a nossa fica sempre ligado nem que seja por fortes recordações.
Nunca ninguém soube os nossos segredos e as nossas palavras trocadas bem baixinho. Ninguém percebe o significado dos nossos olhares e sorrisos, ninguém os conhece e classifica como tu.
Ninguém me decifrava como tu.
Não vou mentir meu amor, vou sentir a tua falta.
Foste algo que marcou e incentivou o meu ar, o meu respirar.
Desenhei sempre contigo a minha alma, sonhei sempre até te encontrar.
Encontrei. Foste.
A maneira como enxugavas as minhas lágrimas quando tinha uma recaída. A maneira como conseguias tocar o meu coração.
Acho que agora já não há um amor assim. Já não há café nem chá igual ao da tua mãe. Já não há recordações tão fortes, nem marcas tão profundas. As lágrimas sinceras, as lágrimas de perda. Aquelas que faziam o chão ficar cada vez mais fundo e o passado muito mais saudoso. Aquelas que sufocavam e faziam sentir um aperto tão grande no coração e nos arrepiavam.
Sabes amor, o mundo agora parece que não vai acabar. Quando algo termina, o futuro está logo aos nossos pés. Tudo é muito mais rápido, talvez também sem sentido. Esquecem-se as memórias, as marcas, as recordações e o amor. Agora o amor não existe, agora há amores. Já não se ama só uma pessoa nesta vida, agora vão-se amando.
A palavra amor. Aquela que para se dizer, o coração tinha que dilatar, bater cada vez com mais força, muito trémulo e ao mesmo tempo muito pequeno. Era até difícil de se dizer, havia sempre dúvidas. Não se sabia se era o momento certo, a hora certa e a pessoa certa.
Só havia um outro coração digno do nosso “amo-te”.
Não gosto desta banalização. A palavra amor tem de ser guardada, cuidada e resguardada até acharmos que chegamos ao coração certo e ao momento de dar todo o nosso amor.
Lembro-me que só te disse que te amava quando o ouvi de ti. Soa bem. Enche-nos. Dá-nos uma energia e uma euforia...não se come, não se fala, anda-se nas nuvens e sorrimos até para as plantas.
Acho que o Gordon quando nos via ainda ficava mais rechonchudo e ronronava mesmo sem mimos. O nosso amor era sentido até pelo gato da tua mãe. Ela sempre disse que até na nossa pele se via a nossa ligação.
Conforto. Sempre gostei disso na tua mãe.
Tinha sempre uma palavra mágica, um sorriso quente.
Memórias. Duras...
Amo-te.
Não me censures por o estar a dizer directamente. É a mais pura verdade.
É difícil esquecer quem me fez tão feliz com um único olhar.
É difícil esquecer quem me fez sentir tão amada e quem eu amei sem limites.
O amor permanece.
Aquece-me em dias chuvosos. Envolve-me numa ternura imensa. Aconchega todos os meus medos. E ainda hoje me faz feliz.
Acho que já ninguém ama como nos amamos um dia querido.
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quarta-feira, 16 de abril de 2008
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