Pum pum, pum pum, sentes? Ele diz-me que continua ali, a tua espera, a respirar os restos de CO2 com que poluíste o meu ar.
Tudo seria perfeito, não fosse a tua mísera existência. Tudo seria radiante, não fosse a tua nuvem negra, carregada de fealdade e ingratidão. Fizeste-me de tudo, mas o pior foi quando me beijaste e deixaste no minuto seguinte. Deixaste que as nossas salivas se confundissem na promessa de que estarias sempre ali, à minha espera quando regressasse a casa depois de um dia pesado. Serias, assim como quem não quer a coisa, o meu refugio…mentiste-me! Não o podias ter feito, mas fizeste-o, sem dor nem remorsos.
Olho para trás e penso nos momentos a dois, nas passagens anómalas às quais me habituaste…sinto o teu cheiro e choro, mas não queres saber!
O tudo é pouco ou nada para ti.
Queres saber como me sinto? Queres saber se sofro por ti? Pergunta-me antes se ainda estou viva e obterás a resposta mais adequada. Digo-te que fizeste mossa.
Arrancaste-me o coração e meteste-o fora, já ouviste falar em reciclagem?
Nem por um minuto pensaste em mim.
Senti agora, uma lufada de ar fresco, descontaminado, apaziguador.
Já foste!
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quarta-feira, 7 de novembro de 2007
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2 comentários:
Ai... Está muito pesado, agressivo. Deste não gosto tanto...
Sei que a vida não é só encantos, mas pode ser que a lufada de ar fresco traga palavras mais suaves...
E muitos beijos!
Pum pum pum pra ti também!
Tu não és pseudo,não és não és não és!
Para ti e para o teu pseudo-pseudo coração (tens noções de lógica e de negação e de negação da negação??)
"O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração."
O Ferdinand é que o sabia. E tu sabes também!
Leio-te.
Beijinhos de Saudades*
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