Encontrei algo no teu olhar que nunca pensei encontrar. Encontrei força e vontade de voar.
Costumava chamar-te de “meu anjo”, tu sorrias e mimavas-me. O teu sorriso doce fazia-me tremer, sempre que o apreciava em demasia, tinha receio de o perder.
O vento trazia um pouco da aragem da cidade, não gostava! Contaminava o nosso ar puro e leve. Naquele tempo, respirar era um prazer. Agora, respirar serve somente para sobreviver.
Como tudo era mais fácil, como tudo era mais simples e (talvez) banal.
Um dia escreves-te um bilhete que ainda está guardado na nossa caixa, dizia: “Se em algum momento me esquecer de ti...perdi o coração!”. Está no meio de todas as palavras carinhosas, gestos e olhares cúmplices. Ali, temos o nosso amor. Guardado numa caixa, qual bugiganga, como se fosse algo material e inutilizado.
Sempre te vi como algo meu, algo possuído por o meu coração.
Reconhecer que erramos, ver que as ilusões e expectativas caíram por terra, dói.
Aquelas fotos que temos, a preto e branco...transmitiam tanta paz. Eu usava aqueles vestidos compridos, naquela altura não era de bom grado uma mulher usar calças. Era tudo tão agradavelmente tradicional.
Ficava horas a fio à tua espera. O vento era forte, levava-me os cabelos. Eles esvoaçavam de uma maneira selvagem e suave ao mesmo tempo. Tinha horas em que não conseguia estar no alpendre a tricotar com a tua mãe ou a ler ou então a fazer alguma camisola para o Inverno frio que se avizinhava. Nessa altura era bom estender a roupa, vi-a o seu balançar e tinha uma sensação de liberdade, sentia-me cada vez mais eu e cada vez mais leve.
Quando nos chateávamos gostava da maneira como me puxavas e me abraçavas logo a seguir das últimas palavras e gestos mal explicados. A tua mão na minha fazia-me sentir forte e capaz de abraçar todo o mundo. Aquecia todos os lugares frios que tivesse dentro de mim.
As tuas palavras reconfortavam qualquer sorriso. Era nestas alturas que sentia uma fusão tão grande que mesmo se nos perdessemos um do outro numa multidão, nos iríamos encontrar. O nosso coração e intuição funcionaria qual GPS.
Mas aquela imagem que está retida. Aquela última tentativa para uma foto decente, mãos dadas, concentrados na nossa ligação talvez, em pé e com as costas direitas... Parecíamos frios, distantes. Mas foi a foto que ficou e que guardo até hoje na caixa do nosso amor que tanto prezo.
E quando olhávamos o pôr-do-sol? Sentia-me criança nos teus braços, explicavas tudo o que perguntava. Gostava quando nos sentávamos no tronco em frente ao lago, apreciava cada instante, cada movimento, tinha medo de perder um pouco de beleza que o lago nos transmitia.
Lembras-te do gancho que me ofereces-te para o cabelo? Tinha uma flor linda, grande e era da cor do nosso amor, tal como afirmas-te quando ma deste. Foi no dia em que a tua mãe ficou a saber da nossa eterna ligação. Conhecia-a desde criança, mas naquele momento o sofá de tua casa ficou enorme e a tua mão não aquecia a minha. A tua mãe ouvia atentamente acenando com a cabeça num belo sim que me fez sorrir com toda a vontade de todo o mundo. Abraçou-me e disse-me que fazia parte da família a partir daquele momento. Senti-me especial e totalmente deliciada com as palavras da tua mãe. Eram de um carinho imenso e de um sinceridade que nunca mais ouvi nem senti de ninguém. A tua mãe sabia tocar qualquer coração.
Hoje ouvi falar em paz e em sorrisos, e tu tinhas um sorriso lindo que me transmitia paz. Quando sorrias o mundo ficava melhor, a paisagem brilhava e a melodia entrava. Sentia um arrepio e um prazer enorme por o poder ter só para mim.
Sinto-me lisonjeada por ter sido a escolhida por este belo amor. E agora triste, por este ter terminado de uma forma tão bela e ingénua ao mesmo tempo.
1 3
domingo, 3 de fevereiro de 2008
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
Sem comentários:
Enviar um comentário